Ela esperava uma bela festa.
Entrou por aquele portãozinho branco, em um ambiente totalmente arborizado e florido.
Passou pela estradinha de pedras que levava até a piscina. Local que, obviamente, estaria lotado de gargalhadas e murmurinhos.
Mas o silêncio mortal cortou seus pensamentos.
Visualizou uma cena um tanto quanto peculiar.
Estavam todos ao redor daquela grande piscina azul, todos voltados para a água cristalina.
Calados.
Paralisados.
Não conversavam entre si.
Não se entreolhavam.
Olhavam fixamente para o mesmo ponto.
Ela então entrou naquela roda para entender o que acontecia.
Horrorizada começou a focalizar a imagem.
De bruço, boiava uma menininha, com seus cabelos dançando na água cristalina.
Longos fios dourados brincando em um movimento suave.
Ao lado daquele pequeno bracinho direito, flutuava uma fita vermelha que reluzia ao brilho solar.
Desesperada, sem entender por que aquelas pessoas continuavam paradas.
Pulou de ponta na piscina.
Com os olhos fechados, sentiu a água inacreditavelmente congelante para uma festa na piscina em plena primavera.
Tentava com todas as forças procurar ar para seus pulmões, mas as agulhadas gélidas a empurravam para o fundo. Seus braços não se moviam conforme o cérebro exigia. Suas pernas estavam duras e pesadas, auxiliando o soçobro.
Lutando contra as fisgadas, abriu os olhos.
Procurou pelos raios solares, pelas mechas douradas, pelo laço vermelho. Nada encontrou.
Via-se agora flutuando numa penumbra congelante.
A menina não mais estava lá.
A penumbra escurecia gradualmente.
Ela não mais lutava contra seu peso.
Afundava e apreciava a escuridão.
Tentou fechar os olhos, ou pelo menos foi isso o que imaginou....
O abismo a engolira.
Risadas.
Pássaros cantando.
Um ambiente florido e totalmente arborizado.
Ela passou por um portãozinho branco, desses que se vê em filmes românticos que retratam lugares seguros.
Ia ao encontro de seus amigos. Aqueles brincalhões.
Era seu décimo nono aniversário.
Vestia um vestido de cetim branco e um laço vermelho prendia seus lindos e longos cachos dourados.
O tempo passava rápido diante dos seus olhos.
Amadurecia, passava por novas experiências e conhecia, de fato, o mundo.
Mas jurava mentalmente que não abandonaria àquela inocência que agora estava retratada em sua vestimenta. Tudo foi devidamente planejado. Sua roupa, seus amigos, a chácara.
Tudo para fixar a ideia de que a beleza ainda seria vista em tudo, mesmo que os anos apaguem as memórias boas e tirem o sorriso de nossos rostos.
A inocência não sera perdida. A inocência não será perdida. - repetia pra si mesma.
Então, um vento forte bateu e desfez o laço em seu cabelo.
A fita vermelha caiu na piscina e a menina-mulher foi pegá-la.
Com o começo, começa o fim. Com o fim, um novo começo.
ResponderExcluirGK
Aprecio a boa interpretação.
ExcluirObrigada pelo apoio.
Inspiração como uma batalha interna ....se exteriorizando...lindo texto.
ResponderExcluirAgradeço à todos pela apreciação <3 É muito bom ver um projeto nosso em andamento... Melhor ainda quando tem um bom retorno :D
ResponderExcluirMuito bem escrito!
ResponderExcluirIncrível!
Adorei! :)
Obrigada :D
ResponderExcluir